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Mila fala sobre maternidade, Bad Moms e mais com a Marie Claire

Em sua entrevista para a edição de novembro da Marie Claire, Mila contou um pouco sobre seus medos e como lida com isso. A atriz também falou um pouco sobre Bad Moms. Confira a entrevista traduzida abaixo:

Está prestes a chover e estragar sua caminhada matinal, mas Mila Kunis não está preocupada com isso. Ela não da a mínima para seu cabelo ficando molhado ou seu rímel ficar borrado ou sua calça ficar molhada e pesada em seu corpo. Além disso, Kunis não tem paciência para flores delicadas que se preocupam em ficarem encharcada. Afinal de contas, “é só chuva.”

Fugindo da perseguição religiosa, sua família migrou da Ucrânia quando Kunis tinha 7 anos, com apenas $250 em seus bolsos. Por causa disso e por uma força natural, ela entende que a vida é cheia de desafios e sofrimentos e que um pouco de chuva durante um passeio não é nada disso.

“É o que é,” ela diz com jeito único, marchando diretamente em direção as nuvens escuras, seu cabelo em um rabo de cavalo e apenas um pouco de corretivo em seu queixo. Kunis, 34, fala livremente enquanto navega pela Atlanta BeltLine, um lugar cheio de pedestres que corta a cidade que ela está chamando de casa enquanto grava A Bad Moms Christmas, a sequência para o filme de 2016, um filme que como Forgetting Sarah Marshall e o novo The Spy Who Dumped Me (com Kate McKinnon), mostra Kunis com seus cabelos curtos e a acessibilidade de todas as mulheres. Assim que as pequenas gotas começam a cair, ela abrir uma pequena sombrinha, mudando o assunto para uma história sobre sua casa alugada e como um raio derrubou uma árvore em seu quintal na noite de ontem.

“Deveria cair sobre três casas. O fato de que não caiu é inacreditável.” Ela parece estar realmente feliz que isso não aconteceu. “Nós podemos ser atingidos por um raio a qualquer momento. Então por que se preocupar? Há algo muito especial quando você pensa ‘O que tiver que acontecer vai acontecer.’ Durante esses quatro ou cinco anos, eu percebi o quanto eu gosto desse sentimento.”

A evolução da “pirada” para a “mestre Zen” tem sido um trabalho para Kunis, com a ajuda de seu marido, Ashton Kutcher, pai de seus dois filhos, Wyatt de 3 anos e Dimitri.

“Eu tenho trabalhado nisso por muito tempo. Quando Ashton e eu começamos a namorar, ele era muito contido. Você podia gritar ‘Sua mãe é uma vadia!’ e ele falaria ‘Por que você acha isso? Vamos conversar.’” Kunis franze suas sobrancelhas.  “Eu penso demais nas coisas. Eu sou muito dramática. Algo não tão ruim, em minha mente, se torna uma catástrofe. Eu vou de zero para cem. É um problema.”

Ela fala sobre uma lista de preocupações que seu cérebro cria desde achar uma pediatra em Budapeste, onde ela irá gravar The Spy Who Dumped Me (“como se Missão Impossível e Jason Bourne tivessem um bebê, e esse bebê é uma mulher fodona”), marcar uma cirurgia para um cachorro em Atlanta e até para a falta de papel higiênico em casa e Por que Ashton não comprou mais na loja? “Pois é obvio que vamos precisar de papel higiênico, e então em segundos eu estou ‘Por que você não vê  o mundo com os meus olhos?’”

Kunis ri, sua voz guiando o caminho. “Eu sempre vivi pensando que eu preciso passar por isso, ter certeza que está tudo perfeito,” diz ela. “E Ashton sempre fala ‘Amor, não existe só EU. Nós podemos passar por isso juntos.’ É difícil lembrar disso o tempo todo. Tipo, tudo vai dar certo.”

De fora, tudo isso parece ser algo muito errado. “Mila é um milagre,” diz Katheryn Hahn, sua colega de elenco em Bad Moms. “Ela é linda e talentosa; ela sorri e é como estar olhando para o sol. Mas ela também consegue priorizar sua vida em um jeito que é decente e por falta de um termo melhor, normal. Ela tem todas as armadilhas de um pesadelo, mas ela é completamente o oposto disso.”

Lisa Sterbakov, uma das parceiras de Kunis em sua empresa de produção, Orchard Farm na ABC, concorda que Kunis é única, especialmente na parte criativa. “Quando a coisa está feia,” ela diz, “Mila é a primeira pessoa que eu ligo. E todos os amigos dela dizem a mesma coisa.” Sterbakov diz que Kunis a levou para o hospital quando ela entrou em trabalho de parto: “Ela estava no quarto quando eu tive o bebê!” Kunis pediu para Sterbakov par criar a empresa de produção delas em 2014, “para ter certeza que as mulheres estão sendo mostradas com honestidade, não sendo usadas para apenas usar roupas bonitas ou o foco de todas as piadas, ou como somente a esposa de alguém,” Kunis explica.

“É algo obrigatório que em todos os projetos, as mulheres tenham um pagamento igual ao dos homens. Tudo que fizemos até agora teve temas femininos,” diz Sterbakov. “Nós escolhemos o que fazer, mesmo sabendo que shows sobre mulheres são difíceis de vender.”

“As vezes eu volto do trabalho pensando ‘Mas que merda?’” Kunis diz, comentando sobre como é difícil fazer algo com mulheres no centro em Hollywood. “Mas a raiva é boa. Nos motiva para procurar algo melhor, para mudar o ambiente e mudar nós mesmos. Você não quer desisti. Você tem que ficar triste. Pelos motivos certos? Sim.”

“O que eu mais quero que minha filha aprenda é o valor do trabalho duro,” Kunis diz sobre sua carreira (que inclui uma parceria com a Jim Beam) confessando timidamente que quando ela estava em seus 20 anos, ela sempre pararia algo que pudesse manchar seu futuro. “Você se da mal uma vez e você aprende rápido.” Quando perguntada sobre o que isso quis dizer, Kunis diz “Eu cheguei 40 minutos atrasada no trabalho e levei uma bronca.”

Wow. Você é um lixo de pessoa. Kunis ri. “Eu tinha muita responsabilidade quando eu era jovem. Você não pode se aventurar muito. Éramos muito pobres. Não que eu pensei que dinheiro é felicidade. Não é. Mas você o que é? Ser capaz de trabalhar.”

“Ser uma mulher poderosa hoje – muito disso em sua própria mente,” Hahn comenta. “O que pensamos que merecemos, o que pensamos que somos dignas, e como nós pensamos em nosso valor e o que achamos que seja nosso valor… Mila sabe seu valor. Ela demanda o que ela merece. Ela não se desculpa por isso.”

Durante um café da manhã em um restaurante loca, Kunis beija a bochecha de Kutcher quando ele sai para ir para casa, então deixa Wyatt em uma aula de dança. Kunis se senta, pedindo um café. Ela fala sobre A Bad Moms Christmas, sobra perfeição intoxicante dos feriados, o raro momento de alegria sobre trabalhar em um set cheio de outras mulheres comediantes. Ela se encontra afogada em comédia. “É um lugar melhor. Tipo, eu não sei se eu faria um filme onde sou estuprada, entende?”

Assim que sua comida chega, Kunis chega mais perto e compartilha um segredo.

“Eu treinei Wyatt para usar o banheiro muito cedo. Eu não quero falar sobre isso porque não quero as pessoas pensando, Que cuzona, mas eu estava cansada das fraudas. E agora eu tenho um bebê de novo.” Ela rola os olhos, e diz que espera o dia que seus filhos consigam viajar de dia, do jeito que ela e Kutcher faziam quando estavam namorando – em um aeroporto ou trem as cinco da manhã, uma mochila para eles. Agora eles fazem caminhadas em família, com Wyatt usando uma mochila e Dimitri.

“A maternidade mostra o quão descuidada você pode ser,” Kunis diz. “Eu estou cansada. Quem se importa? Meus filhos estão saudáveis, eu estou feliz. Se eles estão em um mau humor, confie em mim, eu estou em um mau humor. Se eles estão sendo cuzões eu penso ‘Que porra está acontecendo?’”

Kunis diz que seu marido a faz sair do modo mãe, a encorajando a ser a mulher que ela era antes da maternidade. “Ashton me tira de casa – ‘Vai tomar alguns drinks com as suas amigas!’ Tem mulheres que são boas nisso. Eu não sou. Se eu puder escolher, eu escolho ficar em casa.”

Quando questionada se a culpa tem parte nisso: “100%. Eu me sinto muito culpada. Muitas amigas tem filhos mais velhos e elas são tipo ‘Foda-se a culpa!’ Mas meus filhos ainda são bebês.” Kunis abaixa a cabeça. “Eu ainda estou amamentando meu filho. Com minha agenda de trabalho, eu estou armazenando leite o dia todo. Minha filha faz graça com isso. Ela imita o som da bombinha. Wah wah wah wah. Eu fico ‘Você é uma bobona.’”

Evitar transformar seus filhos em crianças birrentas é uma preocupação que Kunis tem constantemente. Ela cita o mais recente stand-up de Chris Rock: “Ele fala para a filha dele: ‘Apenas se lembre, fora dessa casa você não é tão engraçada, você não é tão incrível.’” Kunis balança a cabeça entusiasmadamente. “As crianças pensam que são especiais. Eles não são. Nenhuma criança é.”

A conversa muda para como ela e Kutcher aproveitam as horas vagas: “Nós começamos a assistir The Bachelor faz quatro anos,” Kunis diz. “Ashton não assista muita televisão. Dois minutos de episodio e nós achamos que aquilo era a melhor coisa já feita.” Kunis também gostava de Real Housewives, sua favorita sendo a de Bervely Hills – particularmente gostando de Erika Jayne e Lisa Vanderpump. “Aquela vadia tem poder. A questão aqui é: O poder é igual ao sucesso? Quero dizer, olhe para Trump. Ele é poderoso mas não tem sucesso, certo?”

Kunis balança a cabeça e diz que suspeitou que Trump iria se tornar presidente, mesmo desejando que ele não fosse. “Eu odeio reclamar sobre um problema que eu não tenho a solução. As pessoas estão ‘FODA-SE O TRUMP!’ Mas tudo que isso faz é gritar ‘FODA-SE OS LIBERAIS!’” Kunis opta por algo diferente.

“A primeira coisa que eu fiz foi doar um monte de dinheiro no nome de Mike Pence pra que ele sempre tenha um cartão de obrigado do Planned Parenthood. Depois disso, minhas amigas e eu começamos a visitar nossos representantes.”

Kunis, que amou a política durante sua vida toda, diz que as notícias são desconfortáveis para ela agora. “É um reality show, um desastre. As pessoas só querem matérias. Eu não quero ofender ninguém dizendo que quem votou em Trump é burro. Eu não acredito que esse seja o caso. Mas eu acho que eles querem informações em uma bandeja de prata. Trump fez isso. Com um monte de sexismo. E de alguma forma, as pessoas aceitaram isso.”

Mesmo assim, Kunis acha um modo de continuar otimista. Ela, assim como seus pais antes dela, ela olha pelo lado otimista. Em cada vida, algum tipo de coisa tem que acontecer. “Isso é uma fase. Se você estuda história, nada é permanente. É como ter 13 anos, quando está passando pela fase hormonal e então melhora. Nós iremos sair disso como um país.”

Café da manhã terminado, Kunis sai e começa a desviar das poças de água. “Todo mundo quer que a mudança aconteça da noite para o dia, resultados imediatos. A vida não funciona assim.” Ela para na frente de uma poça, considerando desviar ou passar por ela. “Todo ano novo, invés de ter uma resolução, eu sempre escolho uma palavra. Esse ano vai ser abertura. Invés de tentar adivinhar o que o mundo vai me dar, eu vou ficar aberta para todas as possibilidades.”

Então, ela pula, limpando a poça. Então se vira, e estende sua mão.

“Venha por aqui,” ela diz. “Nós podemos fazer isso.”

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